Felipe Rosa

Captação da poupança despenca. Ou: a curta história de um governo que tenta crescer puxando o próprio suspensório.

Leia a notícia em: http://www.valor.com.br/financas/4211448/poupanca-tem-maior-retirada-para-meses-de-agosto-desde-1995


A notícia fala por si só. Em agosto desse ano a caderneta de poupança obteve o seu pior saldo negativo desde o início da série histórica (que começou em 1995). A caderneta de poupança é a menina dos olhos dos poupadores pequenos no Brasil. Primeiro porque está isenta de imposto de renda e segundo porque tem liquidez quase imediata. Evidentemente, ela é ainda mais apreciada pelos bancos que a remuneram pouco e com isso bancam os empréstimos imobiliários a taxas mais acessíveis.

Logo, se a captação cai e as retiradas aumentam é previsível que o crédito para o setor imobiliário se torne mais restrito e caro. Assim, o setor imobiliário que já registra queda de 70% nas vendas em alguns setores e 8% de queda no emprego da construção civil tende a piorar.

A queda na poupança tem explicação óbvia e simples. Em períodos de crise as pessoas das classes menos abastadas precisam retirar o pouco que esse governo (que tributa muito) permite poupar. O seguro desemprego perante uma inflação de quase 10% não é suficiente. Além disso, o fato do governo elevar a Taxa Selic (para segurar a inflação) incentiva poupadores maiores a migrar para fundo atrelados à Selic que agora remuneram mais (escasseando ainda maios os recursos da poupança).

Ou seja, o governo vive uma crise de cobertor curto. Para segurar a inflação, eleva os juros. Taxas de juros mais altas escasseiam os recursos da poupança e dificultam os investimentos. Sem bons níveis de poupança e de investimento o país não emprega e a renda não sobe (assim como a produtividade). Isso obriga os que conseguiam poupar a usar de suas economias para suportar os efeitos da recessão e o ciclo de retração se completa.

Além disso, esses efeitos desequilibram ainda mais as contas do governo via aumentos de saques no FGTS e pedidos de seguro desemprego. Ou seja, o Estado ao invés de equilibrar as suas contas acaba por bagunçá-las ainda mais.

Em uma situação destas, o certo é o governo retrair fortemente os gastos e evitar aumento de impostos e tributos. Isso atenuaria os efeitos da inflação (em detrimento da queda produtiva de setores da economia sobrevalorizados) permitindo ao governo não subir os juros. Em um segundo momento, isso permitiria aos consumidores voltar a poupar e aos empresários investir (agora respaldados em um aumento prévio de poupança). A estabilidade poderia ser retomada e abriríamos as portas para uma efetiva redução de impostos e diminuição do Estado.

No entanto, isso gera um custo político que governantes populistas em geral não estão dispostos a pagar. O preferível é aumentar impostos e ajustar o que dá para se eleger nas próximas eleições. O resultado? Cria-se um “modelo de crescimento” montanha russa! Em que o país cresce um pouco por cinco ou seis anos, retrai mais cinco e volta a remar tudo de novo.

É esse o modelo de endividamento público e de consequente aumento de impostos defendido pela maioria de economistas da Unicamp e pelos dinossauros do nacional-desenvolvimentismo. Não coincidentemente são esses grupos que aconselharam a política econômica do primeiro mandato de Dilma Roussef, levando-nos a um modelo que condena o país a uma renda per capta subdesenvolvida. Que gera atraso e sequer produz riqueza suficiente para ser distribuída.

O caminho do ajuste fiscal e do crescimento de longo prazo não passa por mais impostos. Passa por poupança e investimento e esses dois são inimigos dos impostos. O atual governo está mais uma vez tentando sair do buraco cavando mais. O destino só poderá ser o fundo do poço.

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