Romário Becker Alcântara

Uma janela sempre quebrada

biggov

*Por Romário Becker Alcântara

            O governo não sabe cuidar de ninguém, afinal, governos não são mães – ou ao menos não deveriam ser. Para ser bem franco com todos, o governo não sabe cuidar de si mesmo: não quer entender que na economia em geral pouco ou nada se mexe, não quer entender que evitar gastos desnecessários ajuda a combater a inflação e incrementar o superávit primário para suas próprias realizações, não quer entender que política cambial é algo sacrossanto, intocável, e qualquer tentativa de manipulação dela é desastre na certa, e muito menos ainda quer entender que cortar impostos é a maneira mais produtiva de levar um país ao sucesso econômico. Mas, e quem diz que o governo está disposto a aprender? Michele Bachelet que o diga!

            Que tal liberalizar as drogas? Desregulamentá-las? Seria algo benéfico até para o próprio Estado: 1) Libere todas as drogas; 2) Torne a ANVISA um mero agente administrativo e consultivo, uma autarquia mais limitada; 3) Deixe-as as pessoas cultivarem e venderem drogas; 4) Recolhe-se tributos nesta atividade genuinamente comercial. É tão difícil entender que o maior beneficiado da política de repressão às drogas é o traficante e/ou contrabandista?

            Ou ainda, que tal praticar a política de vouchers? Seria muito mais benéfico para todos, e até para o próprio Estado, pois veja: 1) Dê dinheiro na mão daqueles que realmente precisam; 2) Deixa-se os cidadãos contemplados usarem aquele dinheiro para o que bem pretenderem (sem essa de “Farmácia Popular”, governo!); 3) A iniciativa privada recebe mais demanda, aumenta seus lucros, e o governo recebe mais tributos diante disso, além de ter uma imagem beneficiada porque conseguiu valorizar ele mesmo, o cidadão hipossuficiente e o fornecedor privado. Difícil de entender? Creio que não.

            Ou, em tempo ainda, que tal liberar as armas para a população civil? Algo outra vez bem simples de ser compreendido: 1) População civil armada dificulta a “economia do crime” que um bandido analisa ao tentar cometer um delito; 2) Mais armas, menos crimes; 3) O comércio de armas floresce novamente, dando segurança para as pessoas e aumentando lucros e geração de empregos neste setor; 4) Governo recolhe mais tributos nesse processo todo. Algo tão simples de entender quanto dois mais dois serem quatro.

            E que tal flexibilizar as leis trabalhistas? O próprio Estado sairia ganhando com isso, dado que: 1) Patrão e empregado, exercendo os devidos direitos contratuais, estabelecem por livre e espontânea vontade o quanto que cada um deve receber; 2) Abandonando a política de salário mínimo, e eliminando o FGTS (e deixando o cidadão receber na integralidade o seu salário), o desemprego diminui drasticamente, mais jovens e pessoas sem formação ingressam no mercado de trabalho, e bem sabido é que mais empregos é sinônimo de menos violência e melhor distribuição de renda; 3) Empresas lucram mais, pessoas lucram mais, e como o governo tributa tudo, ele próprio sairia beneficiado! Seria isso tão difícil um governante entender?

            A esta altura do campeonato, estando a um mês das eleições, todas estas questões – e demais outras, é claro – devem sim ser indagadas. Seria o desleixo um “argumento” suportável vindo por parte da classe política? Aliás, haveria argumento racional para sustentar a inércia dos entes públicos de beneficiar a todos, e inclusive, a si mesmo? Em tempo: haveria um porquê aceitável de por quê não aprovar todas as medidas aqui já citadas?

            Enfim, para o presente instante, vejo que a mentalidade dos ocupantes do planalto central brasiliense gira em torno de apenas criar problemas para dizerem que estão arrumando soluções para problemas que estavam resolvidos, porém foram criados pelos próprios políticos. É a ideia de “janela quebrada” sendo levado a cabo por décadas. Talvez esta seja a única ideia “genial” que consegue ser posta por parte da classe política brasileira.

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