Lucas Pagani

Drogas: proibir, regular ou legalizar?

Maconha! Cocaína! LSD! Doce! Bala! Todas são armas poderosas para o tráfico, para os traficantes e para os donos de morros. É, concordo, mas por que são poderosas? Talvez por que o governo proíbe o comércio. Mas não há como proibir um bem de ser vendido, porque haverá uma demanda, sempre haverá pessoas dispostas a abrir mão da segurança e afins para se comprar algo ilegalmente. As pessoas não consomem sapatos ou maconha por que eles são produzidos; eles são produzidos por que as pessoas gostam de calçar sapatos e fumar maconha.

Proibir só aumentará os riscos ao não saber do que se toma; se é realmente a droga ou outra substância. O fornecedor terá que proteger seu “empreendimento”. Como ele fará isso? Montando uma milícia. Pronto! Assim nascem os traficantes. Lembrando que em 1929 houve a proibição de bebidas alcoólicas nos Estados Unidos e isso gerou bebidas até mais fortes e um comércio ainda maior do que quando era legal. Lembra do Al Capone, o gangster de Chicago? Ele surgiu contrabandeando bebidas.

Agora, abrangendo o campo total de drogas – lícita e ilícitas, como a aspirina, ritalina, rivotril, cocaína, maconha – por que algumas são legalizadas, algumas controladas e outras proibidas? Estudos comprovam que álcool faz mal a saúde, assim como cigarro, e ambos são legalizados. Por que, então, a maconha é proibida, se ela também faz mal, assim como álcool e cigarro, que são legalizados? Pessoas tomam ritalina sem receita, até misturam álcool (mistura reconhecidamente perigosa) ou tomam rivotril com o álcool (outra mistura perigosa).

Eu culpo a hipocrisia. Aceitam o uso de antidepressivos sem receita, mas odeiam que usem maconha. Cada um sabe o que irá usar, então por que proibir? Uma pessoa que usa maconha sabe dos maus que ela traz e mesmo assim usa. Pessoas usam anabolizantes, sabem que se usarem errado podem ter complicações e mesmo assim tomam. Por que não deixamos as escolhas com as respectivas pessoas, dando a total responsabilidade do ato da compra, do consumo e de suas consequências? Como diz a Economia, é infinita a oferta de vontades. Se a pessoa usa maconha é porque o custo de oportunidade (a escolha de ganhar uma coisa abrindo mão de outra) ou a vontade dela é maior do que o medo de ser preso ou que algum mal ocorra ao seu corpo.

Como escreveu o economista Ludwig von Mises em As Seis Lições, se as drogas são proibidas por que fazem mal ao corpo, o que nos leva a proibir outras coisas? A mente e a inteligência não são tão importantes quanto o corpo? O que impediria o Estado de proibir que leiam certos livros, assistam certos filmes ou estudem certos assuntos, dizendo que não querem que as pessoas prejudiquem a si mesmas? Nenhum ser humano é capaz de dizer o que é melhor ao outro. Suas vontades são diferentes das vontades de outras pessoas. Não leve o mundo como sua visão do certo, leve as tuas escolhas com o teu certo. Deixem o mundo em paz! Deem liberdade! Querem tomar X, que tomem! Querem tomar Y, tomem! É sua escolha, cabe a você tomar ou não. 

Lucas Pagani é estudante de Economia da FURG, coordenador do EPL/RS e colabora com o site do Clube Farroupilha.

As informações, alegações e opiniões emitidas no site do Clube Farroupilha vinculam-se tão somente a seus autores.

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