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Onde houver (excesso de) governo, que se seja contra

O povo ucraniano protestou. O povo ucraniano se armou. O povo ucraniano destituiu a tirania de um governo até então dado como ‘‘democrático’’. E o povo ucraniano venceu uma guerra civil que se desdenhava com traços angustiantes, mesmo tendo que tido enfrentar muitos agentes de Estado fiéis ao comandante do Leviatã eslavo.

Venceu?

Tudo parecia resolvido. No entanto, o Estado plutocrático militar russo, aos mandos de Vladimir Putín, intrometeu-se com beligerância e imperialismo em uma região com afinidades socioculturais e político-ideológicas para com o governo de Moscou.

A Crimeia, região historicamente com afinidades estatistas típicas de todo e qualquer governo russo que já houve, abriu-se toda para uma invasão das tropas – mesmo tendo autonomia política na região (uma conquista que muitas províncias mundo afora almejam, contudo sequer tem forças para isso tentar obter).

E a novela – de drama comparável a uma mexicana – não termina por aí: em 1994, Rússia, Grã-Bretanha e Estados Unidos assinaram o Pacto de Budapeste: um acordo com a Ucrânia garantindo que a unidade territorial, soberania e independência desta ex-república soviética seria assegurada em troca da renúncia de armas nucleares por parte desta.

Não somente isso, todavia também os três signatários proponentes com a Ucrânia firmaram os demais seguintes compromissos, sendo estes a seguir os principais (havendo, por ora, outros elencados): não recorrer ao uso de força contra este povo (com apenas algumas exceções, previstas na carta da ONU, e em caso de legítima defesa própria, apenas), renúncia a embargos econômicos de qualquer um dos três, proposição de recurso a ONU em caso de agressão, e o principal, consultas em todas as situações em que houvesse divergência e dúvidas com relação aos compromissos.

Praticamente toda uma elaboração política internacional descartada, em algum gulag siberiano remanescente, de modo unilateral pelo ex-agente da KGB.

Certo, e daí você me pergunta: qual é a moral de toda essa história? Simples, meu caro: na atual Venezuela, na hodierna Ucrânia, na Alemanha nazista, na Itália fascista, na história toda da URSS (e da Rússia pós-Muro de Berlim, também), muitas tragédias aconteceram por governos de extrema-esquerda; nas ditaduras latino-americanas de Vargas, Pinochet, Galtieri, Péron, et caterva, no Japão de Hirohito durante e Segunda Guerra Mundial – fora demais exemplos que me fogem da mente agora -, outras tantas tragédias decorreram, também, de governos de extrema-direita.

E qual a relação entre estas “duas primas ingratas e facínoras”? O fato comum de em todas elas, sem exceção, o governo ter intervido na vida dos cidadãos de cada nação. Ao coibir liberdades civis, e as econômicas (que são uma derivação das civis), um governo (quando não vários, quando se conta com apoio de ditadores d’outras nações – a Operação Condor nos idos da década de 1970; o Foro de São Paulo, contemporaneamente) consegue iniciar algo tormentoso a qualquer nação aqui deste planeta: a crise existencial de todo um coletivo, e um distúrbio inconsciente que levará gerações e mais gerações para ser superado em milhões de pessoas.

Longe de ser um artigo sobre psicologia, o intervencionismo governamental historicamente demonstrou os malefícios tanto em curto prazo quanto em longo. Na Argentina, até hoje temos pessoas que – pasmem! – se orgulham de ser “peronistas”. Outros possuem saudosismos, ora pela ditadura brasileira, ora pela chilena. Outros, pior ainda, pensam impunemente sobre a então existente ditadura norte-coreana, o chavismo venezuelano, o nazifascismo europeu que assolou a Europa por mais de décadas, e esquecem, a título de exemplo, do Holodomor que a nação ucraniana (sobre)viveu e sofreu mediante uma típica atitude comunista vindo naquele terrível ano de 1932 por parte da URSS para contra essa gente; enquanto fazem loas para a ditadura castrista na ilha mais isolada do mundo – Cuba, onde a escravidão moderna tem áreas de “justiça social” e ‘’igualitarismo’’.

O que mais pretendo dizer aqui é que, através de todos estes exemplos resgatados ao longo dos últimos dois séculos, que um governo deve existir sim (apesar de isso ser levantado a contragosto; “um mal necessário”, melhor dizendo), entretanto sempre limitado. Repito: sempre limitado! A melhor ‘doutrina’ sobre governos que faz referência a isso é o minarquismo (você leu certo: é minarquismo mesmo, não monarquismo), e a melhor referência atual disso é o caso de Hong Kong: da miséria a prosperidade em pouco mais de 60 anos, ao compasso que sua antes regente, o Império Britânico, estar em sucumbência e com uma dívida interna de mais de cinco trilhões de euros (aproximadamente vinte trilhões de ‘dilmas’ – ou ‘tarsos’, tanto faz) – sem esquecer que o governo se apropriou de mais da metade da economia e sua indústria está, aos poucos, em franco declínio.

Governo limitado – isto é, apenas segurança pública, defesa nacional, um judiciário decente, e alguns poucos impostos –, de acordo com os minarquistas; e plenas liberdades civis e econômicas, conforme a corrente libertarianista, creio que são as chaves para o sucesso de qualquer país que queira se tornar o Céu aqui na Terra, seja em que tempo e espaço for. Enquanto muitas correntes ficam apegadas a ideias e mais ideias, eu tomo como visão os exemplos, que são a forma pura e objetiva das ações realmente efetivadas.

O minarquismo fez os Estados Unidos da América se tornarem a potência industrial que até hoje são já lá no séc. XIX (apesar de a esquerda norte-americana estar fazendo de tudo para que isso seja retroagido). As liberdades civis – e, por conseguinte, econômicas – são encontradas em todo e qualquer país que desponta a frente na lista do Índice de Desenvolvimento Humano. Isso não tem como ser ‘mera causalidade’, e sim, somente os efeitos concretos de uma análise depurada de tudo o mais constante aqui mencionado.

Enfim, fica o recado, de que a fórmula à realização plena e geral de todo e qualquer povo sempre se encontrou no “feijão com arroz” da política governamental. E digo isso com toda base histórica possível, embora também pudesse argumentar com base bíblica (“Quando o governo é justo, o país tem segurança, mas quando o governo cobra impostos demais, a nação acaba na desgraça.” – Provérbios, cap. 29, v.4). De forma sucinta, resume-se: poucos e simples impostos, poucas e eficientes leis, liberdade cívico-econômica, respeito aos demais países, e livre- mercado de bens, serviços, pessoas e capitais – pois afinal, existe maneira melhor de combater corporativismo, monopólios, oligopólios, subsídios, protecionismo, cartéis, trustes, holdings, dumpings, etc. etc., com um pleno livre-mercado? Vê-se que não, visto que o livre-mercado sempre foi e é o melhor remédio para muitos males que cada indivíduo, socialmente, sofre em esferas pessoal e econômica.

Romário Becker Alcântara é estudante de Direto da UNIJUÍ e colabora para o site do Clube Farroupilha.

As informações, alegações e opiniões emitidas no site do Clube Farroupilha vinculam-se tão somente a seus autores.

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