Mateus Maciel

Empresas que desejam obter lucro não vivem de caridade

Recentemente, me deparei com essa imagem na minha linha do tempo e esta vinha acompanhada da seguinte frase: “Esta declaração feita pelo dirigente da Bayer (homem da imagem de exibição) sintetiza tudo o que Médicos Sem Fronteiras acredita estar errado com a indústria farmacêutica. Tais companhias estão unicamente focadas em lucro; doenças que não geram lucros são negligenciadas, bem como as pessoas que não podem arcar com os altos preços cobrados por medicamentos. Mas não precisa ser assim. Leia a nossa resposta: http://goo.gl/6Csyfy”. A resposta foi dada pelo Dr. Manica Balasegaram, diretor-executivo da Campanha de Acesso a Medicamentos de Médicos Sem Fronteiras e seria interessante ler a mesma para que possamos prosseguir.

Para muitos, a declaração do CEO da Bayer pode ser chocante. Uma empresa de medicamentos deveria fornecê-los para todos, certo? Não, caro leitor. O que faz uma empresa entrar no mercado, não é a benevolência dos seus donos, mas sim a vontade que estes possuem em auferir lucro. Dessa forma, os empresários podem expandir os seus negócios, contratar mais empregados, inovar cada vez mais, reduzir os preços… Tudo isso para atender às demandas dos consumidores e se manter no mercado.

A Bayer é uma empresa que, com os seus produtos, salva a vida de várias pessoas diariamente. Entretanto, para desenvolver novos medicamentos, ela necessita obter lucro. Caso contrário, a mesma teria que fechar as portas, demitir trabalhadores, parar suas pesquisas e, consequentemente, parar de salvar vidas. Dessa forma, as pessoas que não podem pagar pelos medicamentos, infelizmente, ficarão sem eles.

A realidade é dura, mas se formos pensar no bem comum, o que é melhor: alguns morrerem ou todos morrerem? Dificilmente existirá uma empresa para fornecer medicamentos de graça, uma vez que isso é contra a natureza humana. É como Adam Smith afirmou: “Não é da benevolência do açougueiro, do cervejeiro e do padeiro que esperamos o nosso jantar, mas da consideração que eles têm pelos próprios interesses. Apelamos não à humanidade, mas ao amor-próprio, e nunca falamos de nossas necessidades, mas das vantagens que eles podem obter.”.

Uma questão interessante apontada na nota seguida da resposta do Dr. Balasegaram é o fato de que o CEO da Bayer estava se referindo ao Nexavar (um remédio usado para o tratamento de câncer), cuja patente foi quebrada na Índia. Ainda segundo a nota: “A licença compulsória obtida permitiu a venda de versões genéricas e acessíveis do medicamento a preços até 97% mais baixos do que o cobrado pela farmacêutica.”.

É cômico quando as pessoas criticam o livre mercado e a natureza humana, mas aplaudem uma de suas consequências: a queda dos preços. A Bayer possuía o monopólio sobre o Nexavar, com isso ela poderia cobrar um preço muito acima do custo para produzi-lo. Os indianos, no final, tinham que arcar com o preço alto. Entretanto, com a quebra da patente, mais firmas puderam entrar no mercado e produzir o medicamento a um custo mais baixo, uma vez que a fórmula do mesmo já havia sido descoberta.

Os indianos, “menosprezados” pela Bayer, agora tem acesso ao mesmo medicamento, só que a um preço 97% mais baixo. Os donos das empresas que estão vendendo o equivalente do Nexavar a esse novo preço estão fazendo isso por benevolência? É claro que não. Eles estão fazendo isso para obter mais lucro. A ganância e o egoísmo, no final, acabam por beneficiar a sociedade, principalmente quando as empresas são livres para competir.

Mateus Maciel é estudante da Faculdade de Ciências Econômicas da UERJ. É membro fundador do Grupo Frédéric Bastiat (EPL-UERJ), e escreve todos as segundas para o site do Clube Farroupilha.

As informações, alegações e opiniões emitidas no site do Clube Farroupilha vinculam-se tão somente a seus autores.

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