Débora Góis

Semente liberal germina

“A atitude do liberal para com a sociedade é semelhante à do jardineiro que cuida de uma planta e que, a fim de criar as condições mais favoráveis ao seu crescimento, deve conhecer tudo o que for possível a respeito da estrutura e das funções dessa planta.” Friedrich Hayek

O mundo vai muito além da classificação ideológica de ‘Esquerda x Direita’ defendida por Norberto Bobbio. Há uma classificação a qual julgo mais coerente e atual baseada no diagrama de Nolan, que se leva em conta liberdades individuais e econômicas. Liberais defendem a liberdade do indivíduo bem como as liberdades econômicas mais enfaticamente que esquerdistas e direitistas, pois defendem ambas. A grande critica que surge a partir da massa liberal é que a tanto a esquerda quanto a direita colocam o Estado à cima do indivíduo, porém, ambas diferem no quesito econômico. De um lado temos a esquerda defendendo liberdades do indivíduo e a grandíssima interferência do estado na economia. Já a Direita defende a liberdade econômica criticando intervenções estatais, mas deixa a desejar nas liberdades do indivíduo.

Não é só liberdade econômica, ser um defensor liberal envolve muito mais que isso. A crítica que surge aqui nesse ponto, é que muitos focam sua defesa de liberdade apenas em questões econômicas e políticas. Defesa de liberdade envolve muito mais que defendermos apenas assuntos de nossos interesses, mas sim, reconhecer o direito de liberdade do indivíduo como um todo, e isso envolve questões religiosas, culturais, entre outras.

Ser liberal vai muito além de defesas de idéias e teorias. Precisa-se colocar essa defesa da liberdade na prática, fazendo-se necessário muito cuidado com o mundo externo (ambiente de trabalho). Há quem diga equivocadamente que para lidar em prol das idéias de liberdade deva-se envolver com o sistema governamental diretamente, como por exemplo, tornar-se um burocrata para lidar contra a burocracia; trabalhar para o governo sempre foi sonho de socialista e quem defende uma redução de estado até mesmo a sua inexistência, não terá ali um ambiente muito favorável para se trabalhar (não que não se possa laborar em locais públicos). Juntar-se ao Estado com intuito de reduzi-lo não é uma ideia astuta, podemos comparar com alguém que queira apagar fogo com gasolina, ao invés de água.

A batalha que vivenciamos hoje em prol do liberalismo é muito grande e está só começando. Há muito trabalho a ser realizado, mas não nos esquecemos das grandes conquistas até aqui. Não podemos ignorar o passado, ele é a base pra continuarmos plantando sementes e colhendo frutos, e por isso, que é tão importante o conhecimento da história e dos processos e conquistas do liberalismo tanto em nível nacional quanto internacional. As dificuldades do trabalho liberal é que, no Brasil, ao invés de vigiarmos o Estado, é o Estado quem nos vigia e controla.

Por mais que o somatório de dificuldades seja grande no Brasil, temos um trabalho grandioso aqui em prol do liberalismo. Trabalho realizado por pessoas convictas em seus ciclos de estudos, nas escolas, universidades, empresas, escritórios, clubes…“Ron Paul é o primeiro a afirmar que, ainda mais importante do que legisladores expressando ideias liberais, são necessários mais educadores, empreendedores, pais e mães, líderes religiosos e empresariais divulgando as ideias da liberdade.  Defensores da genuína liberdade amam o comércio e a cultura, e não o estado.  Comércio e cultura são o nosso lar e nossa plataforma de lançamento para as reformas em prol da liberdade.  Apenas a divulgação de ideias sólidas pode nos libertar em definitivo do jugo opressor do estado.  Fingir amizade com um inimigo mais poderoso é uma postura que beneficiará exclusivamente a ele.” [1]

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Débora Góis é acadêmica de Economia na Universidade Federal de Santa Maria, e escreve todos as segundas para o site do Clube Farroupilha.

As informações, alegações e opiniões emitidas no site do Clube Farroupilha vinculam-se tão somente a seus autores.

[1]  Trecho retirado do Artigo:  O que os amantes da liberdade devem fazer? http://www.mises.org.br/Article.aspx?id=1417

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